Emprego formal encolhe

terça-feira, 19 de maio de 2009 |

O emprego formal em Pernambuco encolheu no primeiro quadrimestre do ano com o corte de 42.186 vagas contra 17.375 no mesmo período de 2008. Somente em abril foram fechados 10.985 postos com carteira assinada, encolhendo 1,18% em relação a março. A retração do mercado de trabalho foi provocada em especial pela indústria de transformação com a eliminação de 10.642 vagas e pela agricultura com o corte de 1.038 empregos. O resultado é o pior de toda a série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O desempenho negativo da indústria de transformação é atribuido à sazonalidade do setor sucroalcooleiro e à entressafra da cana-de-açúcar. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) confirma que este ano houve maior corte de trabalhadores na Zona da Mata a partir de março. De acordo com José Rodrigues, diretor da Fetape, as empresas costumam aproveitar entre 30% e 40% da mão-de-obra para a limpeza e conservação dos terrenos.

"Neste ano várias empresas anteciparam a dispensa dos agricultores e estão com dificuldades de pagar os direitos trabalhistas do pessoal demitido na entressafra", confirma Rodrigues. A lavoura da cana-de-açúcar emprega cerca de 100 mil trabalhadores no período da safra e na entressafra mantém perto de 30 mil agricultores. O sindicalista acredita que a crise econômica repercutiu no preço dos produtos (açúcar e álcool) no mercado internacional, agravando o desemprego na região.

Mônica Mercês, gerente da Unidade de Pesquisas Técnicas da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), destaca que o desemprego na indústria de transformação no primeiro quadrimestre do ano é puxado pelo setor de produtos alimentícios e bebidas. "Nos primeiros meses do ano é natural a retração da atividade econômica no setor sucroalcooleiro devido ao período da entressafra, quando há maior dispensa e o crescimento da curva sazonal do desemprego", avalia. A economista lembra que a partir de agosto e setembro essa curva tende a inverter com as contratações de mão-de-obra no início da safra da cana-de-açúcar.

No acumulado do ano (janeiro-abril), a indústria de transformação em Pernambuco cortou 35.531 postos formais de trabalho, sendo 33.583 concentrados no setor de produtos alimentícios e bebidas. O setor agrícola eliminou 8.382 vagas com carteira assinada no mesmo período. Se for considerado o resultado dos últimos doze meses (abril/08 a abril/09) houve crescimento de 3,46% no nível de emprego com a criação de 3.762 postos de trabalho. A Superintendência Regional do Trabalho (SRT/PE) evitou comentar os dados do Caged.

Rosa Falcão - Diário de Pernambuco

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