O biodiesel feito com sebo de boi

terça-feira, 1 de setembro de 2009 |

Uma Alternativa para a Zona da Mata do estado.

Por Angela Fernanda Belfort e Verônica Falcão

Um material que até bem pouco tempo era queimado ou enterrado hoje é responsável por 16,75% de todo o biodiesel produzido no Brasil: o sebo bovino. Este resíduo está sendo usado pelos motores que usam o óleo diesel, que, atualmente, no Brasil, já conta com 4% de biodiesel.

O que consolidou a gordura do boi como uma das principais matérias-primas desse tipo de biocombustível foi sua viabilidade econômica. “O sebo é uma matéria-prima mais barata do que o óleo de soja. É importante aproveitar o resíduo, que antes gerava um passivo com o meio ambiente”, diz o pesquisador de um dos mais importantes laboratórios de biocombustível, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Donato Aranda.

De cada boi abatido, são retirados 20 quilos de sebo. O Brasil é um dos maiores exportadores de carne e detém o maior rebanho de gado de corte do mundo, formado por cerca de 200 milhões de cabeças. “O biodiesel de sebo de boi tem se mostrado viável economicamente. Dá lucro e se constitui em mais um uso para o subproduto”, comenta o diretor executivo da Brasbiodiesel, Rogério Barros. A empresa, inaugurada em agosto de 2007, é subsidiária do frigorífico Bertin, um dos maiores do País.

Localizada em Lins, no interior paulista, a fábrica da Brasbiodiesel é uma das maiores do País e tem capacidade para produzir 125 milhões de litros por ano. A maior unidade de processamento de sebo bovino do País usa um mix de matérias-primas, sendo cerca de 70% sebo de boi e 30% de óleo de soja. A fábrica também compra o sebo bovino de outros abatedouros. “Hoje não há sebo sobrando no mercado. Quem está jogando esse subproduto no lixo não é sustentável. Está perdendo dinheiro”, diz.

Os grandes frigoríficos do Sul e Sudeste vendem o sebo para a indústria de produtos de higiene pessoal ou usinas de biodiesel. No entanto, os abatedouros do Norte e Nordeste ainda o desperdiçam. A Zona da Mata de Pernambuco é um exemplo. “A região poderia produzir 90 mil litros de biodiesel mensalmente com a quantidade de bois abatidos – cerca 14,8 mil animais por mês”, explica o professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e um dos coordenadores da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel, Sérgio Peres.

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