Limite do salto alto

Nas pequenas rodas, o governador Eduardo Campos (PSB) distribui gritos de guerra quando o tema é uma eventual disputa à reeleição, em Pernambuco, contra o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Procura demonstrar tranquilidade, mas levanta a voz sobre as condições com as quais deve entrar na briga. Segundo ele, favoráveis, claro, extremamente favoráveis. Pessoas com quem tem conversado ouvem sempre dele que a gestão conta com índices elevados de aprovação e bem distribuídos em todas as regiões do estado. Até 2006, quando concorreu ao cargo e venceu, mantinha laços fortes com o interior, principalmente com a Zona da Mata, onde seu avô, Miguel Arraes, fez história defendendo canavieiros. Hoje, não, diz ele. Mesmo a Região Metropolitana, antes reduto de outras forças políticas, como o PT, já lhe assegura simpatia. Apesar do otimismo, Jarbas é acompanhado com lupa pelos governistas. O senador é "a pior das hipóteses" no confronto com a oposição. Tem votos, penetração na sociedade e a chance de representar José Serra(PSDB), governador de São Paulo e candidato favorito na sucessão presidencial. Eduardo não vacila. Bota carga na equipe, pressiona por resultados, luta para deixar o salto alto de lado. Ritmo de já ganhou só ajuda a emperrar ainda mais a agenda negativa do governo, que continua nada desprezível em áreas sensíveis como saúde e segurança.

César Rocha

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