No cafezinho

terça-feira, 1 de setembro de 2009 |

“Era uma vez, uma cultura que ficava a mercê de seu próprio consumismo.”

Queridos amigos, o nosso cafezinho de hoje vem com um tema que talvez em outra oportunidade eu já tenha discutido com vocês: a nossa Cultura e a base sólida que a mantém. A cultura pernambucana e suas maiores manifestações artísticas estão inclusas num contexto de supremacia, com lampejos de uma coragem viril por parte dos homens e mulheres que fazem a própria cultura.

E o que é a cultura se não tudo aquilo que se produz por um povo, mediante suas mais intensas derivações? A Cultura como arte, está muito acima das tradições e costumes, onde gera oportunidade, fazendo do homem cidadão pensante.

“L'uomo fa la cultura è diretto uomo pensante”  como pregavam os antigos romanos, defedendo a intituição de outra escola escola de artes na província, nos dá o mote para observamos como vivemos a cada dia, uma nova esfervecência de manifestações culturais. Poderiamos citar entre tantos e tantos, os batuques harmoniosos do Cordel do Fogo Encantando, a Poesia de Siba e Fuloresta ou o Rock Mangue do Nação Zumbi. Esses são apenas alguns do milhares de pernambucanos que fazem sucesso no mundo todo, mas que infelizmente não são valorizados aqui.

O velho dito popular de que santo de casa não faz milagre, nos faz entender bem o que representa e motiva o surgimento diário de tantas bandas ligadas à determinados movimentos culturais por todo o estado, essa dificuldade de seguir na carreira artística motiva jovens por um sonho de ir tocar na Europa e ter isso no Curriculum para começar a ter uma determinada aceitação. É notório que todos os artistas pernambucanos que hoje conhecemos, precisaram fazer muito sucesso na Europa, para começarmos a voltar nossas atenções sobre eles.

É o caso do próprio Alceu Valença que declarou isso em várias entrevistas, mas pensando focadamente em torno do assunto, às vezes me pergunto porque falta tanto espaço local para as nossas culturas? me parece loucura imaginar que uma cultura tão forte e respeitada não consiga consumir a sua própria cultura, até em certos pontos aniquilando-a para convidar outras culturas de fora à invadirem para o consumismo.

Sou maranhense, mas desde que aportei nesse estado, me senti encantado pelos ritmos daqui; Frevo, Maracatu, o Mangue-Beach, o Côco, a Ciranda, entre tantos outros que fazem parte de um patrimônio que devemos preservar e evidenciar, inclusive cobrando do estado e dos governantes o determinado zelo para tal. Cuidemos portanto, para que um dia não precisemos contar: “ Era uma vez uma miscigenação de culturas que se odiava e que por isso não se consumia e não se permitia consumir..”

“Era uma vez, uma cultura que ficava a mercê de seu próprio consumismo…”

Guto Brandão escreve a coluna No Cafézinho, todas as segundas-feiras

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